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quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Que Seja em Segredo: O Livro de Poemas Eróticos Para e Sobre Freiras do Século XVII e XVIII

                                              

" Poemas luxuriosos, românticos, por vezes sarcásticos, escritos para e por freiras, em plena Inquisição, documentam tal costume dessa época em que a interdição sexual teve a função de afrodisíaco. Como consequência, celas e conventos eram ambientes de grande licenciosidade", escreveu a escritora Ana Miranda, laureada com o Prêmio Jabuti, em 1990, por Boca do Inferno e responsável pelo excelente texto introdutivo da obra, o qual faz uma ótima reflexão sobre desejo e sexualidade.
Escritos dentro dos conventos do Brasil e de Portugal, Que Seja em Segredo, é uma nova edição desta obra lançada, anteriormente, pela editora Dantes, nos anos de 1990.
O livro revela o contexto histórico-social de uma época em que a clausura em conventos era o principal meio encontrado por famílias para reprimir adolescentes rebeldes.
Por muito tempo, o convento foi o destino de mulheres extremamente sexualizadas, homossexuais, ex-virgens, bastardas e até mesmo garotas consideradas normais, que poderiam findar seus dias atrás dos altos muros de um convento.
Naquela época, ser freira representava status para a família, mas também atraía a curiosidade, a imaginação e o interesse de muitos homens, que, mesmo proibido, encontravam-se com as religiosas em festas, seminários, mas, principalmente, na obscuridade dos próprios conventos.
Muitos homens que se envolviam com freiras, acabavam se tornando " freiáticos ", os quais desenvolviam desde amores platônicos e inocentes, até uma obsessão desenfreada.
Muitos encontros foram registrados entre freiras e nobres, estudantes, desembargadores, provinciais, médicos, infantes e advogados da época, encontros que não ficavam nada a dever ao romance de E. L. James.

                       

Em 1700, houve uma denúncia de que as religiosas do convento de Santa Ana de Vila de Viana, se encontravam com seus amantes em várias casinhas onde iam cozinhar, no vilarejo. Nestas casinhas, os catres rangiam, onde os corpos alvos das freiras suavam sob o calor dos nobres, movimentos frenéticos eram ouvidos, os gemidos, abafados com beijos.

Veja alguns poemas do livro:

Puta dum corno, dos diabos freira,
Eu me ausento, por mais não aturar-te;
Tu cá ficas, cá podes esfregar-te
Com quem melhor te apague essa coceira;


Poeta Anônimo:

Quando eu estive em vossa cela
Deitado em vossa cama
Chupando nas vossas tetas
Então foi que me lembrei
Linhas brancas, linhas pretas


Trecho do Poema de Frei Antonio das Chagas:

Vem a ser que a freirinha
Se enamorou de doutra freira
Mais que mancebo, cá fora
Quis, lá dentro, ter manceba.


Entre os freiáticos notáveis citados em Que Seja em Segredo, estão o rei de Portugal, Dom João V  e o poeta Gregório de Matos Guerra. Dom João tinha um desejo tão inveterado pelas religiosas que mandou construir uma passagem secreta entre sua casa na cidade de Oldivedas e o convento local, para que pudesse receber leituras de poemas com freiras sentadas em seu colo, com maior decrição.
Gregório de Matos deixou vários relatos de seus encontros com as cortesãs enclausuradas, no Brasil, incluindo um cômico relato de quando a cama de uma freira pegou fogo, decerto, por uma vela que tenha caído, mas Gregório, conhecido como o escritor maldito e " boca do inferno ", atribuiu o incidente às chamas do amor que queimavam seus corpos.

                                       

No começo, as freiras não respondiam as cartas, e apenas os mais persistentes conseguiam obter uma resposta, um bilhete recortado com tesoura, salpicado com água de córdova ou outro perfume caro, dizendo que não podiam amar, que era muito feia, coisas assim. Mais uma carta de lá, outra de cá, uma cena de ciúmes, de rivalidade, e estava consumada a aproximação. " Já que tem que ser, que seja em segredo ", escrevia finalmente a freira ao pretendente.

                                                            by Stela Bagwell