Filmes de 2015

sábado, 21 de novembro de 2015

Resenha: O Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares

                                

                                                        ISBN:  9788580442670
                                                        Série: Srta Peregrine, Vol. 1
                                                        Tradução: Edmundo e Marcia Blasques
                                                        Ano de Lançamento: 2012
                                                        Número de Oáginas: 336
                                                        Editora: Leya
                                                        Minha classificação: 


O Autor:

Ransom Riggs nasceu na Flórida, Estados Unidos, e formou-se em cinema e TV pela Universidade do Sul da Califórnia, onde vive atualmente. Como cineasta, realizou vários curtas-metragens; nas horas vagas, é blogueiro e repórter especializado em viagens. Seu primeiro romance, O Orfanado da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, tornou-se rapidamente um sucesso de público e crítica.


Sinopse:

Tudo está à espera para ser descoberto em O orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares. Elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por um bom motivo. E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.


   

“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo.” – Prólogo.
Atenção, esta resenha contém Spoilers!

 A ideia inicial de Ransom Riggs para o livro era fazer um livro de fotografias antigas, pitorescas, que, assumindo uma determinada sequência, contariam uma história visual. A partir daí, Riggs teve a feliz ideia de criar uma narrativa e usar as fotografias para ilustrar a história.
 Preliminarmente, vale ressaltar que, a engenhosidade com que Ranson Riggs compôs esta obra é realmente admirável. O livro apresenta uma belíssima arte gráfica, em estilo antigo, a capa e a contracapa executada em tom sépia, sugere um toque insólito e sobrenatural que lembra filmes e histórias de terror antigas onde se ocultam sinistros segredos de família.
As páginas foram constituídas de forma a parecer um documento vetusto importante, contendo arabescos nas numerações, fotografias em preto e branco, ora bizarras, ora poéticas, ora sinistras, que são sugeridas pelo autor para comprovar as situações descritas no enredo, as quais são bastante incomuns e aguçam a imaginação do leitor, assim como provocam a curiosidade e aquela sensação de eminente mistério e desconforto, típicos de enredos de suspense.
As fotografias apresentadas por Ranson Riggs são reais e foram emprestadas de colecionadores, o que também empresta um clima realista à história e as circunstâncias evidenciadas pelo autor. Somente por estes aspectos gráficos o livro já merece ser lido, e sem dúvida, foi um ótimo trabalho de Riggs.
O resultado é contagiante, e a boa notícia é que o livro já foi adaptado para o cinema pela Fox, com direção de nada mais nada menos que o mago dos filmes góticos, Tim Burton. O filme tem estreia prevista para março de 2016.

                             

 “Será que era isso que meu avô queria que eu encontrasse? É, só pode ser – não as cartas de Emerson, mas uma carta guardada dentro do livro de Emerson. Mas quem era essa diretora escolar, essa Alma Peregrine?” – pág.59

Eu sou bem suspeita para falar de Tim Burton, por exatamente gostar de tudo que ele faz, e como uma cinéfila incorrigível, espero ansiosamente pela produção cinematográfica que irá dar vida aos cenários e às personagens descritas por Ranson Riggs.
Abaixo segue um Teaser do filme que será dirigido por Tim Burton:


Porém, nada é o que parece, na verdade, nem o que as notas introdutórias sugerem. Confesso que ao final da leitura fiquei com um misto de decepção e conformismo, pois esperava um enredo extremamente sobrenatural e sombrio, não que a história seja ruim, mas  fui ávida por uma história mais macabra povoada personagens abomináveis e irracionais, acredito que este seja o único pormenor que tenha me decepcionado neste livro. A história conta sobre um grupo de crianças reais, são mesmo peculiares, que vivem, desde 1940, dentro de uma fenda do tempo, uma espécie de universo paralelo, que serve como abrigo e proteção por ocultá-las da curiosidade de pessoas comuns e, principalmente dos Etéreos e Acólitos. As crianças são orfãs e vivem sob a proteção de Alma Peregrine, uma ymbryne, ( mulher-pássaro ). A princípio temo uma realidade fantástica e mirabolante que é ameaçada pelos misteriosos Acólitos, seres inumanos, que tentam localizar e invadir as fendas que protegem os peculiares, motivo: os Acólitos são auxiliares dos Etéreos, criaturas diabólicas, de aparência horrenda, que se alimentam de crianças peculiares, os Etéreos eram crianças peculiares que se rebelaram, fazendo experiencias absurdas, são muito poderosos, porém não são criaturas sobrenaturais e não podem atravessar a fenda do tempo, por isso necessitam dos Acólitos.

“O etéreo usou duas de suas línguas para se agarrar às paredes da entrada do túnel e usá-las como apoio para evitar a lama, e cobriu a entrada com o corpo como se fosse a tampa de um vidro. A terceira língua me puxava em sua direção. Eu estava igual a um peixe fisgado por um anzol.” - pág.287

                            

Durante o desenlace do enredo, Acólitos estão invadindo fendas espalhadas pelo mundo e sequestrando as ymbrynes para um posterior experimento apocalíptico. Como eu dizia, não é uma história ruim, apenas difusa daquela sugerida pela sinopse.
Quanto à escrita, apesar de Riggs ser jovem, foi super dinâmico e talentoso, sua escrita é limpa e objetiva e seus personagens foram constituídos sem chavões e exageros linguísticos, o que contribuí para prender o leitor do começo ao fim da história. Desde já considero que, Ransom Riggs é um ótimo contador de histórias, e sua narrativa juvenil vai agradar em cheio os leitores de todas as idades.
Gostei da narrativa, mesmo sendo divergente daquela que eu esperava, dos personagens, que demonstraram ser bastante normais, apesar de possuírem dos peculiares, por sentirem os mesmo medos e ansiedades comum à todos seres humanos, sem exceção, as fotografias, que são, impressionantemente genuínas, e a arte gráfica surpreendente que fez com este livro despertasse meu interesse a primeira vista.

                              

 “Mas o que eu realmente achei assustador não foram as bonecas zumbis ou os cortes de cabelo estranhos das crianças ou como elas pareciam não sorrir nunca: quanto mais examinava as fotos, mais familiares me pareciam.” - pág.106

Inquietante, tenso e misterioso,  com um visual gótico e sombrio, O Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares é uma boa opção, nada que conseguirá tirar seu sono, mas uma boa história anti-distópica e um um ótimo mistério envolvendo a srta. Peregrine, seu orfanato e as crianças que lá viviam.
Super recomendo!!!!!!!!!!!!!!!!!

                                                               By Stela Bagwell