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domingo, 20 de dezembro de 2015

O TERROR EM TAMANHO ECONÔMICO DE STEVENSON

  

                                                 O AUTOR:  ROBERT LOUIS STEVENSON

                                             

Nascido em Edimburgo em 1850, Robert Louis (originalmente, Lewis) Balfour Stevenson era filho de um próspero engenheiro civil. Seu pai desejava que ele seguisse sua profissão, porém a má saúde e a fraca disposição de seu filho significavam que teriam de decidir-se por uma carreira alternativa. Escolhendo o curso de Direito como um compromisso, Stevenson matriculou-se na Universidade de Edimburgo, porém sua crescente desilusão com a respeitabilidade presbiteriana da classe de seus pais conduziu a freqüentes discussões e ele distanciou-se da família, preferindo em vez disso levar uma vida boêmia. Sua fascinação pela vida do baixo mundo da cidade e pelos caracteres bizarros que nela encontrava forneceu um rico material para suas histórias posteriores. Em 1875, quando Stevenson completou seus estudos de Direito, já estava determinado a tornar-se um escritor profissional.
Quando ainda se encontrava no princípio da casa dos vinte anos, ele começou a sofrer de severos problemas respiratórios, que o clima escocês não fez nada para melhorar. Na tentativa de aliviar seus sintomas, ele passou grande parte de sua vida viajando para climas mais quentes; e foi enquanto vivia na França, em 1876, que conheceu sua futura esposa, Mrs. Fanny Osbourne, uma mulher dez anos mais velha do que ele. Em 1879, ele a seguiu até a Califórnia, viajando em um navio de imigrantes, e depois ambos se casaram, assim que o divórcio dela foi oficializado. As primeiras obras publicadas de Stevenson, Uma Viagem pelo interior (1878) e Viagens com um burro nas Cervennes (1879), baseadas em suas próprias aventuras, foram seguidas por um fluxo constante de artigos e ensaios.
Todavia, foi somente em 1883 que apareceu sua primeira obra de ficção extensa, A ilha do tesouro. Uma fase grave de doença, seguida por um período de descanso em Bournemouth, colocou Stevenson em contato com Henry James e os dois ficaram grandes amigos. O reconhecimento que Stevenson recebeu após a publicação de A ilha do tesouro cresceu com a publicação de O estranho caso do Dr. Jekyll e Mr. Hyde (O médico e o monstro) e Raptado, em 1886. Em 1888, ele levou sua família para os Mares do Sul, novamente em busca de um clima que melhor se coadunasse com suas condições de saúde. Após estabelecer-se em Samoa, ganhou reputação como contador de histórias, especialmente entre os nativos. Morreu de uma hemorragia cerebral, enquanto trabalhava em sua obra-prima inacabada, Weir of Hermiston, em 1894.

A criação calvinista de Stevenson e sua constante luta contra a má saúde conduziram à sua preocupação com a morte e o lado mais escuro da natureza humana, como é revelado em seu trabalho. A despeito da afirmação de Stevenson de que “a ficção é para o homem adulto o que o brinquedo representa para a criança”, ele havia, no final de sua vida, dominado uma enorme variedade de tipos de ficção, desde os contos de aventuras históricas e romances de espadachins até as histórias de horror em estilo gótico. Stevenson morreu em 3 de dezembro de 1894.

                                                                       A OBRA

A história de Stevenson baseou-se na vida dupla de um habitante de Edimburgo, na Escócia, chamado William Brodie: de dia ele era um respeitado marceneiro; à noite, roubava as casas dos moradores da cidade.
A história se passa em Londres, no final do século XIX, centro urbano com quatro milhões de habitantes. Devido ao grande contraste econômico entre os industriais (cada vez mais ricos) e os miseráveis (cada vez com menos oportunidades de emprego e vida digna), Londres passou a ser palco de inúmeros crimes horríveis. Justamente por isso, em 1829, foi criada a Scotland Yard, que se tornaria mais tarde reconhecida por sua eficiência em resolver crimes e por tomar parte das inúmeras páginas das histórias policiais inglesas.
Escrita para o grande público, que já conhecia este autor através do folhetim A Ilha do Tesouro, a novela, apesar da linguagem simples e de fácil entendimento, tem uma forma que privilegia o suspense. Os capítulos e o enredo, com traços de novela policial - um crime, um grande mistério e alguém tentando desvendá-los - se encaixam perfeitamente, de modo que todos os elementos da narrativa se esclarecem somente no desenlace da história.
Londres era a cidade de todos os vícios, do jogo à prostituição. Essa hipocrisia é um dos temas principais do livro. O Dr. Jekill, ilustre médico, percebe-se dividido entre duas personalidades, ambas, para ele, completamente verdadeiras. Uma é a do emérito doutor, filantropo respeitado, exemplo de conduta. A outra, reprimida durante toda a sua vida, é a do hedonista, que busca o prazer carnal, que comete crueldades e vilanias, sem responsabilidades. Busca, então, na ciência, maneira de resolver esse impasse. A poção que permite a transmutação entre as personalidades é, ao mesmo tempo, amostra das incríveis possibilidades abertas pela ciência em acelerada evolução e exemplo da angústia de não saber até onde ela poderia ir, já que a invenção subjuga o próprio cientista, que não pode mais controlá-la. Ainda que de forma não premeditada, Stevenson transporta para a literatura o debate político e social vigente (Karl Marx viveu em Londres de 1850 até sua morte, em 1883). Ao mesmo tempo que traz o progresso e a riqueza, a ciência traz a pobreza e a destruição, como se podia observar na própria Londres da época.

                         

A invenção do Dr. Jekill explicita ainda um tema importante relacionado à moral e à sociedade: o bem e o mal convivem dentro de cada ser humano. Mr. Hyde não ganha vida pela ingestão da beberagem, e sim é libertado do interior de Jekill, onde já vivia, embora reprimido. Não é difícil encontrar evidências de uma tese sobre o consciente e o subconsciente nas entrelinhas dessa obra de ficção do final do século XIX. Para isso, basta ler o último capítulo do livro em que o médico, num momento de lucidez, narra em uma carta todo seu trabalho e pesquisa dos últimos anos.

                                                                         2º PARTE

O escritor escocês Robert L. B. Stevensoncompôs uma fascinante obra de perene valor literário: The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1886), publicada no Brasil sob o título O Médico e o Monstro é uma história que discorre sobre o conceito do bem e do mal existente na espécie humana.
O livro pode ser visto como uma notável fonte de estudo para psicologia humana, envolvendo a compreensão das teorias estruturais da personalidade, conforme detalhado por Freud, além de simbolizar perfeitamente o indivíduo acometido pelo transtorno dissociativo de identidade, processo mental caracterizado pela desintegração do ego, popularmente conhecido como dupla personalidade.
O Médico e o Monstro tem como protagonista o Dr. Henry Jekyll, um generoso médico bem sucedido e amplamente respeitado por possuir possui um brilhante intelecto, mas que, em determinado momento, se conscientiza da duplicidade de vida que leva ao perceber a parcela de maldade que reside dentro dele.
Na novela, Dr. Jekyll consegue, por meio de seus experimentos científicos, criar uma fórmula (comparada com o álcool no decorrer do romance) que intervém no seu "normal" e desencadeia processos mentais e físicos dando origem a um ser misantropo de aparência grotesca e deformada. Através desta outra face de sua personalidade, ele pratica o mal sob o nome de Edward Hyde, livrando a figura do médico das críticas sociais.
Jekyll torna-se completamente dependente da mistura que utiliza para trocar de personalidade. Edward Hyde gradualmente se torna cada vez mais poderoso do que sua contraparte "boa", sendo descrito como lado mais agradável dos dois. Em última análise, é a personalidade dominada pela maldade que leva à queda do Dr. Jekyll e sua morte. Isto porque o médico, nas últimas fases de sua lucidez, reconhece o perigo que o Sr. Hyde representa para a sociedade e altruisticamente decide acabar com ele.
 A escolha de um médico como o personagem que se transformará num monstro assassino estabelece um paradoxo entre o crime que destrói uma vida e uma profissão que teoricamente se caracteriza pela luta contra a morte e a compaixão pelo ser humano, realçando o conceito de dualidade humana.

                                                                   3º PARTE

                                        

A história tem poucos personagens Mr. Utterson, Mr. Enfield, Hyde, Dr. Jekyll, Dr. Lanyon, Poole e outros que aparecem poucas vezes como Sir Danver Carew, outro empregado de Jekyll Bradshaw, Mr. Guest o grafologista e outros com pouca expressão.
O livro, possui varios adjetivos usados pelo autor para caracterizar os personagens que também são bem interessantes, como insano e bestial, creio que a para leitores iniciantes pode parecer difícil algumas palavras, mas não impedi o prazer em ler a história e ajuda este leitor a criar um repertório novo de palavras, a compreender leituras mais complexas, as quais surgirão ao longo de sua vida escolar e mesmo acadêmica. Outros exemplos: depravação, ordinariamente, alusão, crepitava, diáfana entre outras.
O último capítulo são as reflexões de Henry Jekyll sobre o que o motivou a criar o monstro a relação que o mesmo tem com a sociedade em que está inserido. Os conflitos pessoais causados pela necessidade de ser aceito na sociedade, nos obriga a agirmos, muitas vezes, de forma diferente do que desejamos, porém, precisamos para conviver. Não podemos fazer tudo que desejamos somos impostos por leis e/ou por acordos sociais a termos um comportamento regrado, se fugirmos destes não somos aceitos. Não podemos, em todas as situações, falarmos e agirmos como pensamos, por exemplo, batermos em alguém que muito nos irritou, se o fazemos temos que respondermos por esse ato.

Em minhas pesquisas achei uma excelente análise sobre este capítulo, infelizmente não tem o nome do autor: “Segundo as teorias de Dr. Jekyll, o homem, na verdade, não é apenas um, mas dois. Todo ser humano é dotado de duas naturezas completamente opostas equilibradas de acordo com sua saúde mental. Uma é boa, aquela que traz admiração das pessoas, compaixão dos mais velhos, elogios dos amigos e da esposa ou namorada; outra é má, aquela que é violenta, agressiva, mal-educada, feia e temida por todos. Quando bem distribuídas, com pequenas alternâncias de estado, o homem pode ser considerado normal, mas há os casos em que uma natureza se sobrepõe a outra, tentando se libertar. O problema torna-se grave quando quem alcança a liberdade é o lado negativo, gerando as fatalidades que estamos acostumados a presenciar nos noticiários.

                                                              Curiosidades:

                                    

A obra obteve tão grande sucesso que até os dias atuais o termo "Jekyll e Hyde" é utilizado pela sociedade científica como sinônimo de desordem de personalidade múltipla. Stevenson escreveu a história, supostamente sob um grande frenesi de  cocaína,  em um curto período de tempo (3 a 5 dias), baseada em um sonho que teve.  O livro também é utilizado como demonstração de dependência química, já que mostra a excessiva necessidade que Dr.Jekyll tem da droga que sintetizou.

                                                                 By Stela Bagwell

                                           Fontes: Análise Literária do Livro, L&PM EDITORES